O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se mantido em silêncio sobre a controversa reeleição de Nicolás Maduro na Venezuela, uma postura distinta da maioria dos países da América do Sul. Desde o fechamento das urnas, há denúncias de fraude e a oposição afirma não ter tido acesso a 70% das atas eleitorais. Em áreas predominantemente chavistas, as seções ficaram abertas além do horário, enquanto em regiões opositoras houve relatos de intimidação e dificuldades para votar.
Postura do Governo Brasileiro
O assessor de assuntos internacionais do Planalto, Celso Amorim, foi enviado a Caracas para acompanhar a votação. Em uma nota divulgada no início da noite, ele afirmou que aguardaria o posicionamento dos observadores internacionais e que ambos os lados deveriam respeitar o resultado. Amorim também mencionou a necessidade de esperar o fechamento de todas as seções eleitorais.

Comparação com Outros Países da América do Sul
O Brasil tem adotado uma postura distinta dos países vizinhos ao não manifestar preocupação com as suspeitas de fraude na eleição venezuelana. Na América do Sul, apenas Bolívia, Guiana e Suriname compartilham dessa postura. Até governos de esquerda, como os de Gabriel Boric (Chile) e Gustavo Petro (Colômbia), foram mais críticos em relação a Maduro.
Lula e a Retomada das Relações com a Venezuela
Com a volta do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder em 2023, Brasil e Venezuela reataram relações, rompidas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Naquela época, o Itamaraty, sob Ernesto Araújo, reconhecia Juan Guaidó como o legítimo representante venezuelano. Sob a liderança de Mauro Vieira e Celso Amorim, o Brasil trabalhou para reconstruir laços com Maduro, especialmente devido a dívidas de empresas brasileiras com a Venezuela.
Mediação Internacional e Tensões Recentes
Em 2023, Brasil, Colômbia, Estados Unidos e União Europeia mediaram um acordo para eleições livres na Venezuela, em troca da suspensão de sanções. No entanto, Maduro desafiou essas negociações ao proibir a líder opositora María Corina Machado de concorrer à Presidência e dificultar a participação de outros candidatos e eleitores no exterior. No final do ano passado, Maduro organizou um plebiscito para anexar parte da Guiana reivindicada pela Venezuela, o que aumentou a tensão militar. A diplomacia brasileira evitou condenar explicitamente essa ação.
Relação Maduro-Lula
Desde então, Maduro passou a ver Lula com desconfiança e chegou a ironizar o presidente brasileiro, sugerindo que ele “tomasse chá de camomila” depois de ameaçar um “banho de sangue” caso perdesse a eleição. O líder venezuelano também criticou o sistema eleitoral brasileiro, levando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspender o envio de uma missão ao país.
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